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‘Viagra feminino’ recebe sinal verde de especialistas

Viagra > viagra feminin


"Há ainda um grande estigma em relação a qualquer coisa que se proponha a lidar com problemas sexuais das mulheres", diz ela. "Uma pílula é considerado algo 'aceitável', mas qualquer coisa mais ligada à sexualidade é vista por muitas empresas como algo que pode causar dano à imagem, algo que pode ser visto como pornográfico.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Homens têm ereções consistentemente na presença de mulheres nuas e querem fazer sexo. Com as mulheres, as coisas dependem de uma miríade de fatores." Depois do fracasso, as farmacêuticas gradativamente fecharam as torneiras e o ciclo do financiamento abundante para pesquisas em fisiologia sexual minguou. Prause, que a essa altura já estava no departamento de Psiquiatria da Universidade da Califórnia como pesquisadora associada, começou a enfrentar resistência interna na instituição para continuar tocando um estudo sobre orgasmo e depressão. Apesar de ter conseguido financiamento privado para sua pesquisa, ouviu da universidade que não poderia aceitar o dinheiro - uma postura que ela atribui ao caráter "controverso" de sua pesquisa. Terminado seu contrato com a UCLA, ela resolveu fundar a Liberos, um instituto de pesquisa independente. Passadas quase duas décadas, uma farmacêutica não havia desistido do viagra feminino - mas focava em outro órgão, o cérebro.

Estudo Ano População Resultado principal Conclusão
Berman et al. 2003 Mulheres com disfunção sexual Sem melhoria significativa vs placebo Ineficaz na população geral
Nurnberg et al. 2008 Mulheres com disfunção por ISRS Melhoria modesta na excitação Potencial em subgrupos específicos
Alexander et al. 2004 Mulheres pós-histerectomia Aumento da lubrificação vaginal Benefício limitado em contexto cirúrgico
Caruso et al. 2001 Mulheres saudáveis Sem efeito na libido Não recomendado para uso off-label

Em 2015, a Sprout colocou no mercado o flibanserin, medicamento originalmente desenvolvido como antidepressivo e que atua nos níveis dos hormônios dopamina e serotonina com a promessa de aumentar a libido feminina.

Produto Dosagem Quantidade + Bónus Preço
Viagra Soft Tabs100mg90 + 6 comprimidos205.31€ 195.53€
Viagra Super Active100mg10 comprimidos28.76€ 27.39€
Viagra Genérico50mg270 + 8 comprimidos198.48€ 189.03€
Viagra Genérico150mg60 + 4 comprimidos111.25€ 105.95€
Viagra Super Active100mg30 + 6 comprimidos64.09€ 61.04€
Viagra Soft Tabs100mg270 + 10 comprimidos419.95€ 399.95€
Viagra Soft Tabs100mg180 + 10 comprimidos314.95€ 299.95€
Viagra Genérico25mg360 + 10 comprimidos213.68€ 203.50€
Viagra Genérico150mg30 + 2 comprimidos72.32€ 68.88€
Viagra Genérico25mg60 + 4 comprimidos71.99€ 68.56€

A droga foi recebida de forma crítica pelos especialistas.

Pode a disfunção erétil estar relacionada com outros problemas sexuais?

"Quando alguns dos participantes dos testes clínicos começaram a relatar que vinham tendo mais ereções que o normal. Nós inicialmente não demos muita atenção, achamos que se devia ao fato de os participantes serem homens jovens." A decisão de investigar melhor veio quando um trabalho publicado por pesquisadores americanos mostrou como um dos componentes do fármaco que eles vinham testando (chamado inibidor PDE5) agia sobre o tecido do corpo cavernoso do pênis, aumentando a circulação sanguínea na região. "Meu chefe pediu que organizasse um estudo para entender se aquilo era real ou um 'acidente'", lembra Boolell. Tempos depois, as pesquisas com o viagra mostrariam que esse aumento da circulação era de fato capaz de provocar ereções e de mantê-las por mais tempo. E a primeira abordagem da indústria farmacêutica ao voltar seus esforços para um possível viagra feminino se baseava exatamente nesse princípio: literalmente bombear mais sangue para a vagina e para o clitóris.

1. Flibanserin

"O tecido que dá origem aos órgãos sexuais femininos e masculinos é o mesmo nas fases iniciais do desenvolvimento do feto", explica Boolell. "Esse tecido vai se diferenciando à medida que é exposto aos hormônios, mas as células-tronco que dão origem aos órgãos sexuais são essencialmente as mesmas [em meninos e meninas]. E a enzima fosfodiesterase tipo 5 [PDE5] também está presente no tecido genital feminino. Então nós pensamos: 'Bom, se funcionou com os homens, tem uma boa chance de que tenha impacto nas mulheres'." Os exames fisiológicos chegavam a mostrar um aumento da circulação sanguínea na vagina e no clitóris, mas tanto as participantes do grupo placebo quanto as que estavam tomando viagra não relatavam melhora na função sexual. Outras farmacêuticas realizando pesquisas semelhantes vinham se deparando com o mesmo problema - o que não chegava a ser surpresa para os especialistas em fisiologia sexual que já pesquisavam como a questão do fluxo sanguíneo se encaixava na equação da satisfação sexual.

O medicamento que gera controvérsia

Esse era o caso da cientista Nicole Prause, na época envolvida em um dos projetos do viagra feminino nos EUA. O aumento do fluxo de sangue para os órgãos sexuais também faz parte da resposta sexual feminina. Quando uma mulher fica excitada, o corpo intensifica a circulação sanguínea nas paredes vaginais e no clitóris, que aumenta de tamanho, assim como os pequenos lábios - um processo chamado vasocongestão. O problema é que, muitas vezes, as mulheres não chegam nem a se dar conta de que isso acontece. "Nós estudamos isso por anos e, para as mulheres, não é tão fácil autoavaliar a vasocongestão", ressalta Prause. Nos testes clínicos, o aumento no número de episódios sexuais satisfatórios (uma medida relativamente subjetiva usada pelo órgão regulatório americano, o FDA, para avaliar essa categoria de medicamentos) observados em um mês entre as participantes ficou entre 0,5 a 1, quando comparado aos resultados do grupo submetido ao placebo. Ou seja, no intervalo de um mês, as mulheres que tomavam o medicamento relataram um episódio sexual satisfatório - ou menos - a mais do que aquelas que o não tomavam.

Muita gente considerou que o custo-benefício não valia a pena.

Como tomar

"Então nós sabíamos que a chance de fazermos algo nesse sentido e de que as mulheres relatassem que de fato estavam sentindo alguma coisa era praticamente zero." A maioria dos problemas sexuais das mulheres não viagra femenino tem relação com um fluxo insuficiente de sangue para região genital, destaca Lori Brotto, professora do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, e diretora do Laboratório de Saúde Sexual da mesma instituição. Especialmente o mais comum deles: a perda ou a redução do desejo sexual. Nos homens, aliás, o viagra não funciona sem desejo - é preciso "ativação" do cérebro para que haja ereção. A questão central, nesse caso, é que o mecanismo de manifestação do desejo é bastante diferente entre homens e mulheres. Na visão de Prause, ainda que tudo isso estivesse claro desde cedo para muitos dos cientistas envolvidos nas pesquisas, o potencial de vendas de uma droga que pudesse chegar ao mercado com o mesmo marketing do viagra fez com que muitas farmacêuticas ignorassem os alertas.

Viagra feminino chega ao mercado em setembro

"Nós avisamos que não iria funcionar", ela reitera. Então estudante de pós-graduação no prestigioso Kinsey Institute, Prause acompanhava seu mentor quando, no começo dos anos 2000, se envolveu em um dos projetos do viagra feminino. Na primeira reunião com o grupo que conduziria a pesquisa, uma surpresa: apenas homens - a maioria acima dos 50 anos, médicos e sem PhD, ou seja, sem treinamento aprofundado em pesquisa científica. "Tinha uma secretária também, que entrava na sala às vezes para servir bolinhos", ela brinca, emendando que acredita que os envolvidos "estavam lá com a melhor das intenções, que queriam ajudar as mulheres e realmente achavam que estavam diante de algo que poderia fazer isso". Ainda assim, a sensação é de que "não houve um debate razoável sobre o que é resposta sexual feminina - os gatilhos para o desejo e a excitação, a conexão (ou desconexão) entre o que acontece no cérebro e no restante do corpo - e sobre por que aquela abordagem provavelmente não iria funcionar".

“As mulheres sofrem bastante com a falta de libido, e praticamente em silêncio, por uma condição estigmatizada”

"E isso não é algo único daquela empresa", completa a cientista. Boolell concorda que a indústria farmacêutica deveria "ter ouvido mais as mulheres". Em 2004, quando a Pfizer anunciou que estava suspendendo seu projeto, ele deu uma série de entrevistas para explicar os motivos. "Há uma desconexão em muitas mulheres entre as mudanças na genitália e as mudanças no cérebro [durante a resposta sexual]", disse na ocasião. "Essa desconexão não existe entre os homens. Ao contrário do viagra, o flibanserin tem de ser tomado diariamente, e pode causar tontura, fadiga e náusea.

1. Existe uma explicação para a queda do desejo?

Naturalmente, iniciou-se de imediato o estudo acerca da pertinência deste medicamento para o tratamento da disfunção erétil e o famoso comprimido azul começou a ser comercializado. Ao contrário da disfunção erétil, em que a maioria das causas se prende com questões físicas, o desejo sexual feminino é influenciado sobretudo por fatores psicológicos (por exemplo, a relação com o companheiro, problemas do dia-a-dia, problemas familiares, problemas profissionais, o pré e pós-parto, autoimagem corporal). Assim sendo, a ausência ou diminuição de desejo não é uma questão que possa ser resolvida com recurso a determinados fármacos, daí que a necessidade do viagra feminino seja constantemente questionada. A solução farmacológica avançada em 2015 despertou discussão e polémica e os resultados não foram animadores. Contudo, recentemente, foram conhecidas notícias de que a FDA aprovou uma injeção (Vyleesi) que visa melhorar o desejo sexual feminino e que, ao contrário das versões que já estavam disponíveis no mercado, não é de uso diário, podendo ser tomada apenas quando necessária.

Carrinho vazio?

Como qualquer outro fármaco, o Vyleesi também apresenta efeitos secundários desagradáveis (dor de cabeça, náuseas, rubor, escurecimento de partes da pele e das gengivas) e está contraindicado em mulheres com pressão alta ou que padeçam de doenças cardiovasculares. Sendo ainda uma novidade, importa compreender no futuro qual a sua real eficácia, de forma a perceber se chegou de facto ao mercado o verdadeiro viagra feminino. Descoberta por acaso pela Pfizer, a "pílula azul" se tornou uma máquina de fazer dinheiro. Só nos primeiros três meses, os americanos compraram o equivalente a US$ 400 milhões da droga para disfunção erétil. Não demorou para que a indústria farmacêutica voltasse os olhos para a outra metade do mercado - as mulheres - e visse aí uma oportunidade de dobrar seus lucros.

7. Ginkgo biloba

"Eu comecei a estudar fisiologia sexual bem na época em que o viagra apareceu. E a sensação era de que, naquele momento, muito dinheiro passou a fluir para a pesquisa em sexologia", relembra Nicole Prause, neurocientista e pesquisadora ligada à Universidade da Califórnia (UCLA). Nossa ciência [fisiologia sexual] ainda é de certa forma marginalizada, é vista como uma área arriscada. Há muitas companhias que não querem nem chegar perto desse assunto." Quase 25 anos e muitos milhões de dólares depois, a indústria farmacêutica nunca conseguiu emplacar uma versão da "pílula azul" para as mulheres. A história do viagra masculino é bastante conhecida. Também não pode ser consumido por mulheres que ingerem álcool - como o uso é diário, quem opta por tomá-lo tem de parar de beber.

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